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Profissão? Professora, com muito orgulho!

– Profissão?
– Professora, com muito orgulho!

Hoje há milhões de pessoas que entendem de tudo ou, pelo menos, se dizem entendedoras. No que diz respeito às questões Educacionais, temos opiniões das mais variadas, pontos de vista argumentadíssimos, com soluções maravilhosas, ditas contextualizadas por seus escritores ou escritoras. Escritos que muitas vezes nos revoltam. O “nos” ao qual nos referimos, somos nós que trabalhamos, há algumas décadas, em sala de aula.

Muitas vezes não há valorização de um trabalho profissional que vem sendo tão cobrado e encarado como algo que qualquer um tem a capacidade de fazer.

Nesse ofício pedagocida, é bastante interessante o papel que vem sendo exercido por alguns “achologistas” que, sem nunca terem atuado de fato na educação escolar, e apenas porque escolas frequentam ou frequentaram, passam a oferecer cenários educacionais oníricos, desde que, claro, se consiga “converter” os professores e resgatar “a pureza de um trabalho que perdeu a sua alma nos últimos anos. (CORTELLA, 2006).

Em meio a todas as dificuldades pelas quais, nós profissionais professores e professoras, passamos a ser competente e está presente cotidianamente em nossas ações; mesmo quando os recursos que temos para nossa aula ainda são lousa, apagador e giz. E quando colocam em nossa sala o moderno quadro branco, o pincel oferecido não é suficiente para uma semana. Trabalhamos com vários recursos, logicamente outros além dos que já foram citados. Como por exemplo, materiais de sucata, gibis, revistas, jornais, folhetos de propaganda, entre outros. Computador em sala de aula? Se existe em alguma escola pública funcionando cotidianamente, parabéns!

Nossa profissão de professor ou professora é construída a cada dia, a cada desafio que surge ao nos relacionarmos com todo o cenário da escola, da sala de aula, independente do nível de ensino com o qual estamos trabalhando,

Muitas propostas surgem, mesmo assim, nos parece que não há mais o que fazer tamanha a gravidade do problema. Alguns nem se indignam mais. Parecem amorfos, vão levando sem saber direito para onde. Até parece que nem ser humano existe mais neste profissional, mas é compreensível; no caos instalado ser humano não é fácil. E ser humano também é uma construção diária.

Se há tantos “achologistas” entendedores e entendedoras sobre todos os assuntos, por que não há um basta aos caos colocado?

Nessa hora, cautela com as conclusões fáceis e explicações superficiais! Não dá para somente psicologizar ou psicanalisar a questão procurando na subjetividade docente a fonte dos malefícios; isto também importa, mas é menos substantivos do que os fatos originados da análise sociológica, política, econômica e, portanto histórica. Do contrário, somos tentados a, rapidamente, incriminar com exclusividade os professores pelas múltiplas fontes e dimensões do fracasso escolar no Brasil, que prefiro – criando um neologismo meio torto – chamar de pedagocídio. (CORTELLA, 2006).

Há muito a ser mostrado de positivo e que ninguém vê, não é notícia, não interessa.

Aquelas vivências que adquirimos em sala de aula e , que pouco, ou quase nenhum tempo temos para sistematizá-las, fariam muito sucesso se fossem de domínio público. Desde os primeiros anos da Educação Básica todo o trabalho feito pelo professor ou professora é inigualável. Como por exemplo, na Educação Infantil cujo saber é encontrado de forma significativa em situações como a rotina, que organiza e estrutura o cotidiano; as experiências na areia; nos desenhos no chão; brincar com o barquinho de papel na bacia com água; ouvir histórias olhando para o céu; são momentos dirigidos a vários campos de vivência como a possibilidade de imaginar, sonhar, conversar sobre o que se passa na cabecinha da criança, assim estamos estimulando, oferecendo condições para se efetivar tão importante condição do ser humano para o decorrer da vida toda, que é o pensar e falar sobre seu pensamento, ser ouvida. É esta a hora, é este o momento adequado.

Estas e outras inúmeras ações oferecem condições para que os alunos e alunas, desde os primeiros anos possam caminhar em direção à autonomia, a sentir-se responsáveis com a vida, com a alegria ou com a fome que muitos passam, a valorizar e perceber a importância de atitudes saudáveis para que nosso planeta seja melhor, com seres humanos melhores.

Dizer a uma criança que ela deve pensar não adianta. Precisamos é de atividades que exijam operações de pensamento, afirma RATZ (1977, p.43). Estamos sempre desenvolvendo ações para que o pensamento flua em toda a permanência dos alunos e alunas na escola. Não existe um espaço único.

“O que eu quiser imaginar eu sou capaz
Eu sou capaz de imaginar que sou capaz
De ver a lua brilhar de dia e o sol encher a
Noite de alegria. A imaginação fica dentro da
Cabeça, com ela a gente faz o que bem quer
Com ela eu olho prá dentro de mim e vejo
Coisas lindas, vejo o que eu quiser. A gente
Pode de tudo, a gente é capaz, basta que a
Gente acredite no que a gente faz. Mas tudo
Na vida começa lá dentro da cabeça da gente
Um lugar lá dentro, no meio dela onde existe
A imaginação”.
(MARCOS VALLE e PAULO SÉRGIO VALLE, 1974).

Referências bibliográficas

Cortella, Mario Sérgio. Palestra realizada no Sindicato dos Professores Municipais de São Paulo. 2006.

Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle. Música: Imaginação. 1974

Ratz. Ensinar a pensar. São Paulo, EPU, 1977

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1 Comentário

  1. Lara disse:

    Ótimo texto… Reflete muito do que tenho ouvido da sociedade quando resolvem começar a achar algo sobre a educação. Ir para a sala de aula eles não vão, mas dizer o que deve ser feito eles fazem muito bem.

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