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ÉCOS DE FILOSOFIA: O PRINCÍPIO DE RESPONSABILIDADE DE HANS JONAS.

INTRODUÇÃO

Podemos encarar o planeta Terra como um organismo vivo que se auto produz, pois somente a Terra possui uma atmosfera que é quase impossível de existir de acordo com as leis da química. O homem por sua vez, não tem dado tempo para que a natureza possa se auto construir, pois com sua ganância e sede de poder julgam não fazer nada de errado em querer metas de crescimento cada vez maiores e vão indistintamente destruindo o Planeta e consequentemente a si mesmo.

O uso exagerado da tecnologia tem levantado importantes considerações sobre a necessidade de pensar novos princípios éticos que possam medir os atos humanos em relação ao meio em que vivem, e as intenções e ações individuais , no âmbito social, já que o indivíduo não controla mais os efeitos intencionais e colaterais de suas ações.O problema se origina no conceito restrito de responsabilidade da moral moderna que se refere apenas as ações do indivíduo deixando de lado as ações sistêmicas (governos, mercados, empresas etc), cuja as decisões afetam muito mais os rumos da sociedade e da vida do planeta.

O conceito de responsabilidade de Hans Jonas é o mais adequado para lidar com a nossa nova realidade. Para ele, nós somos responsáveis não só pela situação presente, mas também pelas gerações futuras, já que elas tem igual direito à vida. Somos então co-responsáveis em tomar decisões coletivas que imponham limites a sociedade tecnológica que nós mesmos criamos.

Já que não podemos mudar o passado, podemos sempre lembrar que somos os únicos responsáveis pelo nosso presente, e não é preciso esperar por reformas de instituições para preservar o futuro. Através de simples ações diárias podemos fazer a diferença no mundo demonstrando nosso grau de compromisso na construção de uma nova ética para o planeta.

REVISÃO DE LITERATURA

Hans Jonas (1903-1993) nasceu na Alemanha, de origem judia teve o período inicial de sua formação humanística na leitura dos profetas Hebreus.Teve  como mentores intelectuais Martin Heidegger e Rodulf Bultmann.Em 1934 é obrigado a abandonar a Alemanha em função da ascensão do nazismo ao poder e somente em 1966 com a publicação de “ The Phenomenon of life, Toward a Philosophical Biology”, estabelece pois nessa obra os parâmetros de uma filosofia da biologia.Faz uma reflexão da precariedade da vida e mostra o grande alcance filosófico dessa abordagem, tem inicio nesse momento a sua profunda preocupação com a preservação da vida humana e do planeta.

Hans Jonas aponta as bombas de Hiroshima e Nagasaki como marco inicial do abuso de domínio do homem sobre a natureza causando a destruição. Mais do que uma consciência de apocalipse brusco, ele percebeu uma consciência de apocalipse gradual que decorre do crescente perigo de riscos do processo técnico global e do seu uso inadequado, propondo um novo pensamento que questiona o poder do homem sobre a natureza. Jonas da ênfase em seu trabalho, á responsabilidade e ética do homem em relação a natureza de forma a preservar continuamente a vida do planeta, não só no tempo presente mas principalmente no tempo futuro, que englobaria muito mais que os nossos descendentes imediatos, sendo sua máxima “Age de tal maneira que os efeitos de tua ação não sejam destruidores da futura possibilidade de  vida humana  autêntica”(JONAS,1994, p.40) ou formulado negativamente “não ponhas em perigo a continuidade indefinida da humanidade na Terra”.

Desse modo Hans identifica os caminhos que irão formular a consciência da sustentabilidade que tem seu principal fundamento no princípio da responsabilidade.Com a “heurística do temor”, coloca a questão da responsabilidade de uma forma radical, que ultrapassa em muito as teses de relatórios internacionais que colocam em questão a preocupação com as relações futuras. Ante a possibilidade de morte substituindo a vida, compreende-se porque esse futuro distante é o lugar de um temor específico para o qual Jonas introduz a figura da “heurística do temor”. Temor esse que tem por objeto eventuais perigos que ameaçam a humanidade no plano de sua permanência e de sua sobrevivência, tais como as manipulações biológicas aplicadas a reprodução humana ou à identidade genética da espécie humana ou, ainda, a intervenção química ou cirúrgica sobre o comportamento do homem.Ou seja, através de seu aperfeiçoamento técnico o homem tornou-se perigoso para o homem, na medida em que põe em perigo grandes equilíbrios cósmicos e biológicos que constituem os alicerces vitais da humanidade. No seu radicalismo ele é imperativo, ontológico, ou seja, ou o ser humano assume a responsabilidade com seu modo de vida ou não terá muitas chances de sobrevivência no futuro.Sendo primordial aprendermos a viver, de maneira comedida, responsável e ética. Ética essa que significa a responsabilidade ilimitada por tudo aquilo que existe e vive.

No momento de crise em que vivemos todos são obrigados a ter uma nova posição sobre o papel do ser humano no planeta, repensando a responsabilidade que devemos ter para com tudo que existe e vive, mesmo para com aqueles que estão temporalmente distantes. Essa crise  afeta todos os aspectos da vida humana – relações sociais, saúde, economia, tecnologia e política, e ainda em dimensões espirituais, intelectuais e morais, de tal forma que o ser humano pela primeira vez se depara com a real possibilidade de sua extinção e de toda vida no planeta.

A manutenção da natureza é a condição de sobrevivência do homem e é no âmbito desse destino solidário que Jonas fala de dignidade própria da natureza. Preservar a natureza significa preservar o ser humano. Não se pode dizer que o homem é sem que se diga que a natureza também é. Eis porque o sim à natureza tornou-se uma obrigação do ser humano. O que o imperativo de Hans estabelece, com efeito, não é apenas que existam homens depois de nós, mas precisamente que sejam homens de acordo com a idéia vigente de humanidade e que habitem esse planeta com todo o meio ambiente preservado.

CONCLUSÃO

Falar da preservação da natureza e da vida humana pode parecer uma atitude de dimensões muito grandes, dando a impressão de que só as pessoas influentes ou ricas tem capacidade para adotar essa causa. Talvez essa sensação surja porque a contribuição para a salvação da vida é realmente uma ação nobre, que tem início nas pequenas intenções,nos menores gestos e, por menor que seja as dimensões, a conseqüência é absolutamente necessária e indispensável.

Que nessa curta passagem pela vida o homem reflita sobre a gratidão, o bem, e o belo. Pedindo desculpas a mãe- natureza pela dizimação, extinção e devastação dos animais e das florestas e da vida.

As maiores e duradoras mudanças começam de dentro para fora, mudando primeiramente, aquele que as promove e, depois, atinge o universo.Talvez não possamos solucionar o problema do lixo e da poluição mundial, mas podemos não jogar papéis nas ruas. Talvez não possamos despoluir os rios e os mares, mas podemos conservar limpa as nossas caixas d’água, talvez não possamos plantar uma árvore, mas podemos não arrancar flores e conservar as que estão plantadas,talvez não possamos impedir a matança de elefantes e tartarugas, mas podemos alimentar o gato, dar água ao cachorro, ou não prender os pássaros, talvez não possamos manter entidades ecológicas mas podemos sorrir, tratar bem as pessoas, ser paciente e elogiar a quem merecer. É… talvez  não possamos realmente mudar o mundo sozinhos, mas a cada atitude nossa em prol da qualidade de vida, ainda que pareça insignificante representa muito quando unida a atitude de tantas outras pessoas que lutam para conservar a vida do Planeta.

REFERÊNCIAS:
Sites:
ALENCASTRO, C.S Mario e HEEMANN, Ademar.HANS JONAS: AS BASES FILOSÓFICAS PARA UMA ÉTICA DA SUSTENTABILIDADE
http://www.unifae.br/publicacoes/pdf/sustentabilidade/mario_ademar_hansjonas.pdf-
SILVA, Candido Josué.A ÉTICA KANTIANA E A CO-RESPONSABILIDADE DE HANS JONAS
http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult3323u49.jhtm
SIQUEIRA, Eduardo José.HANS JONAS E A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE
http://www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/hansjonas_siqueira.pdf

________
Texto: Franciele Leal / Eliana Pansanato
Estudantes do Primeiro ano de Filosofia (CCHE- UENP/PR).  E-mail: franciele.leal@gmail.comelianapansanato@ig.com.br
Publicado também no site MUNDO FILOSÓFICO

Enviado pelo professor Fábio Antonio Gabriel – UENP.

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3 Comentários

  1. Iara Elizia disse:

    Professor Fábio excelente artigo, que realmente nos conscientiza de começarmos a fazer olgo pelo nosso bem, e do planeta! Tenho uma pequena dica ,em vêz de jogar fora o óleo velho de cozinha. eu coloco em garrafas pet para depois minha sogra fazer sabão!

  2. diálogo perfeito, construtor, trnsformador!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    pô-lo-emos em prática! É questão de vontade e atitude conjunta.

  3. Marcos disse:

    Excelente texto. Muito me ajudou em pesquisas.

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