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Nossa Senhora Achiropita

Axé, Madona Achiropita

A autora Rosangela Borges, aborda em seu livro Axé, Madona Achiropita[1], a presença da cultura afro-brasileira nas celebrações da Igreja de Nossa Senhora Achiropita, no bairro do Bexiga, em São Paulo. O livro foi apresentado originalmente como dissertação de mestrado ao Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Rosangela viu na experiência vivida nas celebrações da Igreja de Nossa Senhora Achiropita, a oportunidade de realizar uma pesquisa que normalmente é feita por antropólogos e historiadores e pouco por cientistas da religião.

O livro é dividido em duas partes subdivididas em quatro capítulos, dois para cada parte. Na primeira parte, a autora nos relata a história do bairro do Bexiga e a vivência dos negros e italianos no bairro e na cidade de São Paulo, ressaltando os aspectos culturais que eles foram apresentando ao longo dos anos, sobretudo aqueles que ajudaram na compreensão dos elementos da cultura afro-brasileira nas celebrações da Igreja de Nossa Senhora Achiropita.

Na segunda parte, após ter feito uma contextualização completa das culturas italiana e afro, bem como o desenvolvimento delas no Bexiga, Rosangela Borges relata o sincretismo cultural – religioso, presente nas manifestações da cultura afro-brasileira no ritual católico.

Nesta parte do livro, a atenção da autora é voltada para os aspectos que facilitam a compreensão da razão de ser de uma pastoral negra no interior da Igreja Católica.

Assim, no capítulo 3 “Um novo rosto da Igreja”, Rosangela fala sobre a inovação da Igreja após o Concílio Vaticano II (1962 – 1965 ), as Conferências de Medellín ( 1968 ) e Puebla (1979 ) e, sobretudo, a Campanha da Fraternidade de 1988, que foi de fundamental importância para fazer com que a Igreja Católica no Brasil, abrisse espaço paradiscussão no seu interior e também na sociedade, para a situação da população negra, já que o tema da Campanha da Fraternidade foi “Fraternidade e o Negro”.

É no último capítulo do livro, que a autora aborda realmente os detalhes das manifestações da cultura afro-brasileira nas missas, os aspectos históricos da Pastoral Afro da Igreja de Nossa Senhora Achiropita, encerrando a obra falando sobre as religiões afro-brasileiras e a Pastoral Afro.

A leitura de Axé, Madona Achiropita é muito interessante, pois desperta um turbilhão de lembranças da cidade de São Paulo e do bairro do Bexiga. Ler sobre o tema abordado no livro faz bem a todos, especialmente aos que estudam História, Filosofia e Teologia, pois a obra nos apresenta a riqueza da cultura dos afro-descendentes, bem como as suas matrizes culturais e aspectos presentes ao longo da história do bairro, como as rodas de samba que originaram a Escola de Samba da Vai – Vai e a Festa de Santa Cruz, esta que contribuiu muito para a participação da população negra nas celebrações católicas, e foi fundamental para a inclusão dos negros no interior da Igreja Católica e para a formação da Pastoral Afro da Igreja de Nossa Senhora Achiropita.

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[1]BORGES, Rosangela. Axé, Madona Achiropita. Presença da cultura afro-brasileira nas celebrações da igreja de Nossa Senhora Achiropita, em São Paulo. São Paulo: Pulsar, 2001.

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Texto: Danilo Freire
(Graduado em Filosofia) UNIFAI 

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5 Comentários

  1. Rosangela Borges disse:

    Danilo, fiquei feliz ao ler a resenha produzida por você sobre o meu livro. É muito interessante entrar em contato com os comentários sobre o que escrevemos. Um abraço,
    Rosangela Borges

  2. webcorreia disse:

    Nós é que ficamos muito felizes em saber que tenha gostado de nosso artigo. O Professor Danilo ficará muito feliz com sua visita!

    Junior!

  3. Professor danilo disse:

    Obrigado Rosangela. Foi um prazer receber a sua visita no site. Quero que saiba que adorei seu livro e sempre trabalho com ele em sala de aula. Ele transmite um conteúdo muito rico . Sempre que alguém me pergunta sobre algum livro bom e gostoso para ler indico o Axé, madona Achiropita.
    Um grande abraço,
    Danilo

  4. Aidan adn disse:

    Coisa do diabo…. só de ver os tridentes la tras ja diz tudo…
    pq crer em santos inquanto pode creer em deus?

  5. Maiza Gatti disse:

    Herdei de minha família a mania de dizer “Madona Achiropita” como interjeição de exclamação. Fui fazer uma pesquisa pra não sair falando bobagem e dei com esta página. Muito interessante! Na verdade, descendo de italianos que viveram em São Paulo. Só mais uma coisinha… deveria haver aqui espaço para se avaliar comentários idiotas como esse do “Aidan” … ou deveria existir uma espécie de filtro pra impedir semi-alfabetizados de postar comentários retardados, pois geralmente é deles que eles provêm. Uma pesquisadora como você não merece!!

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