Um Filósofo em defesa da Fé Cristã!

3 Janeiro, 2009

Blaise Pascal é um filósofo que acredita que o coração é uma fonte de verdade, de certa forma distinta da racionalidade provinda do espírito geométrico. Ele defende também que não se pode criticar a religião cristã sem antes conhecer seus fundamentos. E na obra Pensamentos apresenta que nada é tão sublime como o fato do ser humano pensar.                       

            Ele constata que a dimensão racional do ser humano é muito limitada para constatar a existência ou não de um ser divino e termina por concluir que a através da razão não poderíamos encontrar com as verdades mais profundas sobre a existência. Quanto as provas metafísicas sobre a existência divina, segundo ele, nada provam e nadam aumentam no nosso relacionamento com Deus, devemos provar Deus pela fé e não pela razão.

            Então ele defende o argumento da aposta da existência de Deus. É mais razoável escolher apostar que Deus exista, pois se Deus não existir nada estará perdido, se ele existir e tivermos apostado que Ele não exista estaremos realmente perdidos. Como não podemos deixar de apostar parece razoável apostar na existência e temos tudo a ganhar. E se no final das contas Deus não existir não teremos perdido nada.

            E Pascal acrescenta que se Deus não existir, ao menos, teremos vivido uma vida honesta e ética, tendo assim somente a ganhar. Portanto, acreditar na imortalidade da alma no entendimento dele leva a uma determinada postura ética que se afirma e deve ser coerente com nossa aposta na existência ou não existência de um ser transcendente.

            Vários filósofos com argumentos muito plausíveis apresentaram argumentação contra a existência de Deus, todavia afirma Pascal que a existência do transcendente e do sobrenatural foge da nossa capacidade humana restando apenas crer.

            Pascal afirma que a religião cristã seria  a única capaz de fazer o ser humano encontrar-se consigo mesmo e encontrar-se com sua realidade paradoxal: ao mesmo tempo miserável e também cheio de possibilidades. O verdadeiro Deus seria conhecido pelo coração e não apenas pela razão. Ele, sem dúvida, jamais desejava negar a importância da racionalidade, mas afirmava que dois excessos devem ser evitados, um é negar a razão e outro é apenas acreditar nela como uma única fonte, excluindo qualquer outra fonte de conhecimento.


Globalização, neoliberalismo e Bioética – células tronco

10 Outubro, 2008

Primeiramente podemos estabelecer algumas reflexões sobre o significado dos três termos: globalização, neoliberalismo e Bioética.

Globalização: ”salto ocorrido no fim do século XX no processo de interdependência entre governos, empresas e movimentos sociais. O termo descreve uma situação propiciada pela internet, de troca, instantânea de informações e conseqüente fechamento de negócios”. Todavia, há quem diga que é um processo de massificação expandindo as desigualdades sociais e econômicas, massacrando culturas locais.

Neoliberalismo, liberalismo idealizado por Adam Smith na obra Riqueza das Nações onde defendia a necessária ação livre do mercado regido pela lei da oferta e da procura cuja tradução segundo meu saudoso Professor Mons. Miguel Schaff era “quem pode mais chora menos”. O Estado intervém o mínimo possível; no neoliberalismo assistimos a privatização constante que tem seus aspectos positivos. Porém, ao assistir o filme “Corporation” podemos perceber os grandes abusos e como as grandes coorporações acabam por de forma abusada a ter domínio sobre o que seria público visando o lucro acima de tudo. O problema do neoliberalismo que o Estado vai privatizando tudo mas não diminui a carga tributária.

É dentro desse contexto que temos que entender como a pessoa humana vai ser tornando objeto e não mais pessoa com dignidade e que por detrás de muitos discursos no campo da bioética, uma delas – células tronco que no plano jurídico é regulada pela Lei de Biossegurança, de 2005, “que autoriza o uso de embriões fertilizados in vitro e considerados inviáveis que estejam armazenados há pelo menos três anos.” Em maio deste ano o Supremo Tribunal Federal considerou que a Lei de Biossegurança não contradiz o artigo 5º da Constituição – que garante o direito à vida a toda pessoa.

Polêmica: “È certo destruir uma potencial vida humana para salvar outras? Para grupos religiosos, a vida humana começa com a fecundação e matar um embrião equivaleria a realizar um aborto o que é proibido pela legislação. Os defensores das pesquisas com células-embrionárias argumentam que os embriões inviáveis, armazenados nas clínicas de reprodução assistida, jamais se desenvolverão em ser humano. Serão apenas descartados.”

O debate é amplo e multidisciplinar todavia não podemos fazer-nos cegos diante de tantas situações. Não estaremos vivenciando um novo holocausto na História?

Os grandes interesses serão realmente pelo bem-estar e pela ciência ou interesses extritamente econômicos?

Conforme Mário Sanches da PUC PR (In Bioética, ciência e transcendência, Loyola):

“Assim, quem estima os avanços em biotecnologia não pode esqueceras as vultuosas somas de dinheiro que podem ir para as mãos do primeiro que anuncia o resultado. Isto é um importante complicador ético, pois, mesmo reconhecendo que a pesquisa é importante, é necessário perguntar-se: esse afã pelo aspecto econômico não deturpa a pesquisa? Será que ela foi bem feita? Será que todos os riscos foram avaliados?”

Fábio Antonio Gabriel – autor de Filosofando, Noções introdutórias

fabio.gabriel@pucpr.br