Pré-Socráticos

27 Março, 2009

Os filósofos pré-socráticos

 

Sócrates foi o grande marco divisório  da Filosofia Grega e, por isso, os pensadores que o antecedem são conhecidos como pré-socráticos. Os principais nomes são: Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Pitágoras de Samos, Heráclito de Éfeso, Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia , Empédocles de Agrigento, Leucipo e Demócrito de Abdera. Cada um desses filósofos pertenceu a escolas diferentes e desenvolveu seus pensamentos em busca da arqué.

Meu objetivo aqui, é escrever um pouco sobre cada um desses pensadores de uma forma bem simples para que todos os leitores possam entender. Começarei com Tales de Mileto.

Tales de Mileto ( 625-546 a.C )

talesA tradição filosófica atribui o início da Filosofia a Tales de Mileto. Existe uma enorme dificuldade para conhecer sua vida e sua obra, devido ao fato de que assim como Sócrates, não deixou escritos. Tudo o que conhecemos sobre Tales é proveniente de fontes indiretas, ou seja, pessoas que conviveram com ele e discípulos.

Tales foi astrônomo e iniciador da Filosofia da Physis, pois foi o primeiro a afirmar a existência de um princípio originário único, este que seria a causa de todas as coisas existentes e, por isso, é considerado o primeiro filósofo da História da Filosofia. Para Tales, esse elemento era a água.

Segundo o pensamento de Tales de Mileto, a água é a fonte última da vida e de todas as coisas. Tudo vem da água, tudo sustenta sua vida com a água e tudo acaba na água. A água é o início, o meio e o fim. No final deste texto, irei mencionar a música Gita de Raul Seixas, que utilizei para explicar essa matéria em sala de aula, enfatizando o fato de que Raul também era formado em Filosofia, e que podemos extrair muitas coisas das suas letras e, sobretudo, a parte da música que ele fala eu sou o início, o fim e o meio, relacionando com a água apresentada por Tales de Mileto como elemento originário de tudo.

Uma coisa fundamental para entender a Filosofia de Tales é que não devemos confundir a água apresentada por ele com a água que bebemos. A água à qual o pré-socrático se refere deve ser pensada como a natureza líquida originária da qual tudo se deriva e da qual a água que bebemos é apenas uma das manifestações.

Tales foi um grande pensador que contribuiu não só para o desenvolvimento da Filosofia, mas também na política porque empenhou-se em organizar as cidades gregas da Jônia para enfrentar a ameaça dos persas. Na engenharia, quis desviar o curso de alguns rios para fins de irrigação e navegação. Como pesquisador, investigou as causas das cheias do rio Nilo, um dos motivos para ele estabelecer a água como princípio originário racional. Como astrônomo, previu um eclipse solar e descobriu a constelação denominada Ursa Menor e como matemático e geômetra, descobriu um método para medir a altura de uma pirâmide do Egito, do qual teria derivado o famoso teorema de Tales.

Para encerrar este texto, uma coisa de extrema importância é deixar aqui um recado para você caro visitante. O fundamental é olhar para a Filosofia não simplesmente por olhar, mas analisar os fatos e ver que Tales viveu no século VII a.C e contribuiu muito para a História do pensamento universal, e que cada um de nós também pode contribuir para a evolução da humanidade.

Como eu mencionei acima, vou anexar a este texto a música Gita de Raul Seixas que utilizei para ilustrar o conteúdo da aula sobre Tales de Mileto e os filósofos pré-socráticos:

 

Gita ( Raul Seixas e Paulo Coelho)
-
"Eu que já andei pelos quatro cantos
do mundo procurando,
foi justamente num sonho que ele me falou"

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou 
Gita gita gita gita gita

Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada

Por que você me pergunta
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra A tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor

Eu sou a dona de casa
Nos pegue-pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo

Gita gita gita gita gita

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão

Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio (2x)
Eu sou o início, o fim e o meio (3x)

 


Sócrates e o Adolescente

25 Agosto, 2008

O questionamento do Adolescente
Professor Danilo Freire

O filósofo Sócrates é considerado um marco na História da Filosofia, porque tinha como característica uma forma diferente de fazer Filosofia, reunindo-se com as pessoas da época em praças públicas e dialogando com elas. Ele utilizava dois métodos importantes: a ironia, que era o questionamento para levar os interlocutores a reconhecerem a própria ignorância e levá-los ao auto-conhecimento, e a maiêutica que era a arte de dar a luz às próprias idéias. Desses dois métodos temos duas frases célebres atribuídas a ele “Sei que nada sei” e “Conhece-te a ti mesmo”, esta última que estava escrita no Oráculo de Delfos.

Sócrates não tinha preconceitos, dialogava com todos desde as prostitutas e os mendigos, até a elite da sociedade ateniense do século V a.C, e foi isso que causou um pouco de inveja por parte dos políticos da época, que na verdade tinham medo do que poderia acontecer com a democracia se houvesse uma revolução no pensamento devido às suas idéias.

Um tema interessante para abordar a Filosofia socrática é a adolescência, fase na qual as pessoas tornam-se questionadoras da realidade, das normas morais e de tudo que as cercam. Esse questionamento se dá, porque é uma nova fase da vida em que o autoconhecimento começa a se desenvolver e a pessoa passa a ter sua própria visão de mundo. Embora pareça, a adolescência não é um fenômeno universal, pois antropólogos constatam que as sociedades tribais não passam por esse estágio, porque o advento do mundo adulto se dá por meio de ritos de passagem, ou ritos de iniciação.

Durante o meu trabalho com os alunos do Ensino Médio para os quais leciono a disciplina de Filosofia, consegui perceber que o adolescente vive uma situação de ambigüidade, pois ao mesmo tempo que hostiliza os pais, deseja a sua atenção. Tanto deseja viver o novo estado, quer ser independente, quanto sente perder a familiaridade e o colo dos pais que tinha antigamente. Depende dos pais que lhe dão casa, comida e afeto, mas diverge deles quanto aos objetivos de sua conduta (companhias, namoro,etc).

Por outro lado, a atitude dos pais também é ambígua, porque em certos assuntos esperam dos filhos um comportamento de adulto, exigindo responsabilidade com os estudos e em outros tratam-nos como crianças, por exemplo não conversando sobre a sexualidade.

Uma coisa fundamental durante a adolescência é a orientação educacional, profissional e sexual, já que nesse período da vida, a pessoa está conhecendo o próprio corpo e percebendo as suas transformações, aprimorando-se como membro da sociedade, fazendo novas amizades e, iniciando-se na vida amorosa, com os primeiros contatos na escola, com os amigos,etc.

Para encerrar o texto, é importante lembrar que devemos conhecer a nós mesmos como indivíduos e membros de uma sociedade, nos questionando sempre das nossas ações, lembrando que temos que ter um referencial a ser seguido, ou seja, seguir um exemplo, e, sobretudo, criarmos nossas próprias idéias, questionarmos as injustiças sociais como Sócrates fazia na antiguidade e incentivava os seus discípulos a fazer o mesmo.

Após a leitura do texto, convido você caro leitor, a ler as questões apresentadas abaixo, e refletir um pouco sobre a sua vida e a de Sócrates, e ver como os ensinamentos desse filósofo podem nos ajudar muito em nossa vida cotidiana. Se você quiser, pode anotá-las e respondê-las em sua agenda ou caderno, discuti-las com seus amigos, enviar um comentário em nosso site, ou até mesmo por e-mail.

Reflexão sobre o texto

1) Em sua opinião, qual é a importância do auto-conhecimento?

2) Em sua opinião, o que é ser adolescente?

3) É comum ouvirmos as pessoas chamando os adolescentes de aborrecentes. Em sua opinião, por que isso acontece?

4) Você se considera um adolescente consciente e questionador da realidade, ou um adolescente acomodado? Por quê?

Danilo de Oliveira Freire
Licenciado em Filosofia pela UniFai