Anaximenes

5 Maio, 2009

anaxiProfessor Danilo Freire

Anaxímenes foi discípulo de Anaximandro e admitia que a origem de todas as coisas era indeterminada. Entretanto recusava-se a atribuir-lhe o caráter oculto de elemento situado fora dos limites da observação e da experiência sensível.

Tentando uma possível conciliação entre as concepções de Tales e Anaximandro, concluiu ser o ar a arqué, o princípio de tudo. Isso porque o ar representa um elemento invisível, imponderável, quase que inobservável , e, no entanto, observável. Anaxímenes afirmava que o ar era a própria vida, a força vital, a divindade que animava o mundo, aquilo que dava testemunho à respiração.

Caro leitor e visitante de nosso site. Encerro aqui os pensadores milesianos que desenvolveram seu pensamento filosófico na colônia grega de Mileto na Jônia e  foram também membros da Escola Jônica Antiga, Tales , Anaximandro e Anaxímenes de Mileto, que contribuíram muito para o desenvolvimento do pensamento filosófico  e científico. Um elemento fundamental aqui é que eles passaram a buscar respostas racionais para as suas dúvidas e inquietações, rompendo com o pensamento mitológico ao qual os gregos costumavam recorrer. A Filosofia surgiu como Cosmologia e a característica dela era a busca da verdade, que neste caso pode ser questionada e trabalhada de vários pontos de vista. Se Tales e seus contemporâneos recorressem aos mitos,  nós hoje não teríamos a oportunidade de analisar teorias diferentes, formas diversas de explicação para a arqué, pois  um mito não podia ser questionado, porque os gregos acreditavam que quem narrava o mito(o poeta) era um escolhido dos deuses, e não acreditar em  algo que um poeta narrava era o mesmo que não acreditar nos deuses.

Espero ter contribuído com os textos, e o próximo pensador a fazer parte da série os pré-socráticos será Pitágoras, o grande mestre da Escola Pitagórica.

Um grande abraço e até a próxima.


Anaximandro de Mileto

5 Abril, 2009

Anaximandro de Mileto ( 610-545 a.C )

 

anaAnaximandro foi discípulo de Tales na Escola Jônica Antiga, cujos membros acreditavam que o Universo era estático, e procurou aprofundar as idéias do mestre sobre a origem de todas as coisas. Em meio a tantos elementos observáveis no mundo natural, água, fogo, ar, terra, ele acreditava não ser possível eleger uma única substância material como princípio primordial de todos os seres, isto é , a arqué.

De acordo com o autor Ubaldo Nicola na sua obra Antologia Ilustrada da Filosofia, “Anaximandro foi o primeiro a usar o termo arqué, que em grego significa o princípio, o fundamento, aquilo do qual tudo se originou e que mantém o mundo vivo”.[1]

Para o pré-socrático, esse princípio era algo que estava acima dos limites do observável, ou seja, não se situava numa realidade ao alcance dos sentidos. Por isso, denominou-o o ápeiron, termo grego que significa o infinito, o ilimitado, o indeterminado. Segundo ele, a arqué, ou seja, o ápeiron, só poderia ser alcançado pelo pensamento  e pelo intelecto. Da mesma forma que Tales dizia que tudo começava com a água, se desenvolvia com a água e terminava na água, Anaximandro dizia que todas as coisas surgiam do ápeiron e retornavam ao ápeiron. Essa crença prenuncia a máxima de Einstein que diz que “ a matéria não pode ser criada nem destruída”.

Encerro aqui este pequeno texto a respeito do filósofo pré-socrático Anaximandro de Mileto, e espero ter contribuído de alguma forma para o conhecimento de todos os visitantes deste site. O próximo artigo será sobre o também milesiano e jônico Anaxímenes. Desde já agradeço a sua visita caro leitor.

Um abraço.



[1] NICOLA, Ubaldo. Antologia ilustrada da Filosofia p. 15


Pré-Socráticos

27 Março, 2009

Os filósofos pré-socráticos

 

Sócrates foi o grande marco divisório  da Filosofia Grega e, por isso, os pensadores que o antecedem são conhecidos como pré-socráticos. Os principais nomes são: Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Pitágoras de Samos, Heráclito de Éfeso, Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia , Empédocles de Agrigento, Leucipo e Demócrito de Abdera. Cada um desses filósofos pertenceu a escolas diferentes e desenvolveu seus pensamentos em busca da arqué.

Meu objetivo aqui, é escrever um pouco sobre cada um desses pensadores de uma forma bem simples para que todos os leitores possam entender. Começarei com Tales de Mileto.

Tales de Mileto ( 625-546 a.C )

talesA tradição filosófica atribui o início da Filosofia a Tales de Mileto. Existe uma enorme dificuldade para conhecer sua vida e sua obra, devido ao fato de que assim como Sócrates, não deixou escritos. Tudo o que conhecemos sobre Tales é proveniente de fontes indiretas, ou seja, pessoas que conviveram com ele e discípulos.

Tales foi astrônomo e iniciador da Filosofia da Physis, pois foi o primeiro a afirmar a existência de um princípio originário único, este que seria a causa de todas as coisas existentes e, por isso, é considerado o primeiro filósofo da História da Filosofia. Para Tales, esse elemento era a água.

Segundo o pensamento de Tales de Mileto, a água é a fonte última da vida e de todas as coisas. Tudo vem da água, tudo sustenta sua vida com a água e tudo acaba na água. A água é o início, o meio e o fim. No final deste texto, irei mencionar a música Gita de Raul Seixas, que utilizei para explicar essa matéria em sala de aula, enfatizando o fato de que Raul também era formado em Filosofia, e que podemos extrair muitas coisas das suas letras e, sobretudo, a parte da música que ele fala eu sou o início, o fim e o meio, relacionando com a água apresentada por Tales de Mileto como elemento originário de tudo.

Uma coisa fundamental para entender a Filosofia de Tales é que não devemos confundir a água apresentada por ele com a água que bebemos. A água à qual o pré-socrático se refere deve ser pensada como a natureza líquida originária da qual tudo se deriva e da qual a água que bebemos é apenas uma das manifestações.

Tales foi um grande pensador que contribuiu não só para o desenvolvimento da Filosofia, mas também na política porque empenhou-se em organizar as cidades gregas da Jônia para enfrentar a ameaça dos persas. Na engenharia, quis desviar o curso de alguns rios para fins de irrigação e navegação. Como pesquisador, investigou as causas das cheias do rio Nilo, um dos motivos para ele estabelecer a água como princípio originário racional. Como astrônomo, previu um eclipse solar e descobriu a constelação denominada Ursa Menor e como matemático e geômetra, descobriu um método para medir a altura de uma pirâmide do Egito, do qual teria derivado o famoso teorema de Tales.

Para encerrar este texto, uma coisa de extrema importância é deixar aqui um recado para você caro visitante. O fundamental é olhar para a Filosofia não simplesmente por olhar, mas analisar os fatos e ver que Tales viveu no século VII a.C e contribuiu muito para a História do pensamento universal, e que cada um de nós também pode contribuir para a evolução da humanidade.

Como eu mencionei acima, vou anexar a este texto a música Gita de Raul Seixas que utilizei para ilustrar o conteúdo da aula sobre Tales de Mileto e os filósofos pré-socráticos:

 

Gita ( Raul Seixas e Paulo Coelho)
-
"Eu que já andei pelos quatro cantos
do mundo procurando,
foi justamente num sonho que ele me falou"

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada
Nem fico sorrindo ao teu lado

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe, me deixa
Talvez você não entenda
Mas hoje eu vou lhe mostrar

Eu sou a luz das estrelas
Eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida
Eu sou o medo de amar

Eu sou o medo do fraco
A força da imaginação
O blefe do jogador
Eu sou, eu fui, eu vou 
Gita gita gita gita gita

Eu sou o seu sacrifício
A placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição

Eu sou a vela que acende
Eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo
Eu sou o tudo e o nada

Por que você me pergunta
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra
Do fogo, da água e do ar

Você me tem todo dia
Mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você
Mas você não está em mim

Das telhas eu sou o telhado
A pesca do pescador
A letra A tem meu nome
Dos sonhos eu sou o amor

Eu sou a dona de casa
Nos pegue-pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco
Sou raso, largo, profundo

Gita gita gita gita gita

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão

Mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio (2x)
Eu sou o início, o fim e o meio (3x)