Abordar este assunto parece algo muito simples, pois muitas vezes temos uma mente formatada, que pensa que a violência contra a mulher é apenas um estupro ou uma agressão física. Ela vai muito além disso, pois o próprio conceito de violência nos possibilita ter uma visão mais ampla, porque aponta como ação violenta aquela que impede uma pessoa de agir de acordo com a própria vontade ou a priva de um bem.
Neste sentido, o filósofo Aristóteles (384-322 a.C) distinguia o movimento segundo a natureza e o movimento por violência, ou seja, o homem agindo segundo a sua natureza e o homem agindo com violência . É importante lembrar, que para Aristóteles, a ação humana deve visar a felicidade (eudaimonía). Para ele, o único caminho para a felicidade é a virtude (areté). Com base na idéia aristotélica, podemos dizer que a violência é uma ação contrária à natureza humana, que é inclinada para o bem e, quando age violentamente, priva-se do bem para o qual é inclinada.
As definições citadas acima, nos permitem pensar o tema de uma ótica diferente, pois o próprio machismo pode ser caracterizado como violência contra a mulher. A própria historiografia mostra, que na antiguidade, a mulher era submissa ao homem. Na Grécia Antiga, a Filosofia, a política e os outros assuntos relacionados à polis, eram exclusivos dos homens. As mulheres ficavam encarregadas do serviço doméstico e da educação dos filhos. No livro A Antígona de Sófocles, Ismênia fala para Antígona que que as mulheres tinham que obedecer aos homens e que não podiam competir com eles. Aos poucos, essa imagem da submissão feminina foi mudando, pois hoje nós temos mulheres que trabalham fora, que cursam a universidade, mas, mesmo assim, ainda temos o problema do machismo.
No que se refere à violência física contra a mulher, a Revista Veja do dia 27 de abril de 2005, publicou uma matéria na qual abordou o crescimento deste tipo de violência na Suécia, país europeu que é um primor no que diz respeito à igualdade entre homens e mulheres no trabalho e na vida pública. De acordo com a matéria, quatro em cada dez mulheres já foram agredidas por homens em algum momento da vida.
Segundo Margareta winberg, embaixadora da Suécia no Brasil, “os suecos batem nas mulheres para deixar claro que ainda são capazes de subjugá-las , apesar de terem perdido o poder sobre elas fora de casa.”
A diretora do projeto de combate à violência contra a mulher do governo sueco, disse que algumas suportam o tratamento recebido caladas, para preservar a imagem de pessoa forte e independente que foi construída na sociedade.
No Brasil, o problema de agressão física também é muito difícil de ser discutido, pois se prestarmos atenção, os noticiários sobre casos de violência contra a mulher são muito freqüentes.
Diante do assunto que foi abordado no texto, podemos concluir que o pensamento humano evoluiu muito da antiguidade para os dias atuais no que se refere ao papel da mulher na sociedade, mas ainda podemos notar a presença de uma mentalidade um pouco machista por parte de alguns homens, mas não podemos negar que a cada ano, a mulher vem conquistando cada vez mais o seu lugar no mercado de trabalho e, muitas vezes, tendo um desempenho melhor do que o dos homens em determinadas funções.
Questionario acerca de nossa reflexão
Se a situação feminina mudou tanto, por que as suecas continuam sofrendo agressões?
Por que a violência contra a mulher brasileira em seu próprio lar é preocupante?
Por que muitos homens maduros preferem se relacionar com mulheres mais jovens?
Como você pensa a questão da emancipação da mulher na sociedade?
Na sua opinião, o que precisa ser feito para amenizar o problema da violência contra a mulher na sociedade atual?
Você acredita que se houvesse uma igualdade entre homens e mulheres no trabalho e na política aqui no Brasil, o problema da violência contra a mulher seria menor?
Escrito por Danilo Freire
Licenciado em Filosofia pela Unifai
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