Violência contra a Mulher! – Isso não

1 Setembro, 2008

Abordar este assunto parece algo muito simples, pois muitas vezes temos uma mente formatada, que pensa que a violência contra a mulher é apenas um estupro ou uma agressão física. Ela vai muito além disso, pois o próprio conceito de violência nos possibilita ter uma visão mais ampla, porque aponta como ação violenta aquela que impede uma pessoa de agir de acordo com a própria vontade ou a priva de um bem.

Neste sentido, o filósofo Aristóteles (384-322 a.C) distinguia o movimento segundo a natureza e o movimento por violência, ou seja, o homem agindo segundo a sua natureza e o homem agindo com violência . É importante lembrar, que para Aristóteles, a ação humana deve visar a felicidade (eudaimonía). Para ele, o único caminho para a felicidade é a virtude (areté). Com base na idéia aristotélica, podemos dizer que a violência é uma ação contrária à natureza humana, que é inclinada para o bem e, quando age violentamente, priva-se do bem para o qual é inclinada.

As definições citadas acima, nos permitem pensar o tema de uma ótica diferente, pois o próprio machismo pode ser caracterizado como violência contra a mulher. A própria historiografia mostra, que na antiguidade, a mulher era submissa ao homem. Na Grécia Antiga, a Filosofia, a política e os outros assuntos relacionados à polis, eram exclusivos dos homens. As mulheres ficavam encarregadas do serviço doméstico e da educação dos filhos. No livro A Antígona de Sófocles, Ismênia fala para Antígona que que as mulheres tinham que obedecer aos homens e que não podiam competir com eles. Aos poucos, essa imagem da submissão feminina foi mudando, pois hoje nós temos mulheres que trabalham fora, que cursam a universidade, mas, mesmo assim, ainda temos o problema do machismo.

No que se refere à violência física contra a mulher, a Revista Veja do dia 27 de abril de 2005, publicou uma matéria na qual abordou o crescimento deste tipo de violência na Suécia, país europeu que é um primor no que diz respeito à igualdade entre homens e mulheres no trabalho e na vida pública. De acordo com a matéria, quatro em cada dez mulheres já foram agredidas por homens em algum momento da vida.

Segundo Margareta winberg, embaixadora da Suécia no Brasil, “os suecos batem nas mulheres para deixar claro que ainda são capazes de subjugá-las , apesar de terem perdido o poder sobre elas fora de casa.”

A diretora do projeto de combate à violência contra a mulher do governo sueco, disse que algumas suportam o tratamento recebido caladas, para preservar a imagem de pessoa forte e independente que foi construída na sociedade.

No Brasil, o problema de agressão física também é muito difícil de ser discutido, pois se prestarmos atenção, os noticiários sobre casos de violência contra a mulher são muito freqüentes.

Diante do assunto que foi abordado no texto, podemos concluir que o pensamento humano evoluiu muito da antiguidade para os dias atuais no que se refere ao papel da mulher na sociedade, mas ainda podemos notar a presença de uma mentalidade um pouco machista por parte de alguns homens, mas não podemos negar que a cada ano, a mulher vem conquistando cada vez mais o seu lugar no mercado de trabalho e, muitas vezes, tendo um desempenho melhor do que o dos homens em determinadas funções.

Questionario acerca de nossa reflexão

Se a situação feminina mudou tanto, por que as suecas continuam sofrendo agressões?

Por que a violência contra a mulher brasileira em seu próprio lar é preocupante?

Por que muitos homens maduros preferem se relacionar com mulheres mais jovens?

Como você pensa a questão da emancipação da mulher na sociedade?

Na sua opinião, o que precisa ser feito para amenizar o problema da violência contra a mulher na sociedade atual?

Você acredita que se houvesse uma igualdade entre homens e mulheres no trabalho e na política aqui no Brasil, o problema da violência contra a mulher seria menor?

Escrito por Danilo Freire
Licenciado em Filosofia pela Unifai


Filosofia no Brasil

11 Agosto, 2008

Onde estão nossos Filósofos?

Hoje é muito comum falarmos em grandes pensadores como Marx, Nietzsche. Lembramos até dos mais antigos como Sócrates, Platão, e não deixamos escapar os mais falados atualmente como Heiddeger ou até mesmo Sartre. Mas, onde estão os nossos pensadores? Onde estão os filósofos brasileiros?

Se pararmos para analisar, atualmente é mais fácil alguém falar em Rorty, Marx, Tales, Voltaire do que falar na Filosofia brasileira. Obviamente que todos esses pensadores devem fazer parte de nossos conhecimentos, pois são eles que nos deixaram um grande legado de estudos.

Mas ainda assim, onde entramos nessa história? Temos grandes pensadores da atualidade que talvez só não sejam figuras comentadas no ensino da Filosofia porque ainda estão vivos, ou até mesmo porque são brasileiros. Será que daqui uns cem anos quando eles já estiverem mortos é que a Filosofia irá parar para estudá-los? Quando perguntamos sobre algum livro que nos explique sobre algum assunto de Filosofia, as respostas são sempre as mesmas; Leia o livro de Regis Jovilet; Procure um livro de Wiliam James; Compre A Republica de Platão… e assim por diante. Poucos conhecemos sobre a nossa própria Filosofia. Pergunto por exemplo: Além de Marilena Chauí que está sempre na mídia, que outro filósofo brasileiro você conhece? Eu posso indicar muitos, mas o grande problema é que a própria filosofia não estuda. Não coloca suas idéias em evidência. É muito mais fácil eles serem conhecidos na hora de traduzir um texto de algum grande pensador internacional, do que por algum trabalho que tenha publicado com seus próprios pensamentos. E se não fosse o bastante, eles ainda publicam livros explicando sobre a Filosofia de outros pensadores.

Agora pare e pense. Se você mesmo não publica seus próprios pensamentos, como você espera que a Filosofia seja tratada neste país que já sofre com a grande sombra das pessoas que vêem na matéria apenas algo que serve para encher currículo?

Pense nisso.

Escrito por Erisvaldo Correia
Revisão por Danilo Freire


Filosofia no Ensino Médio

8 Agosto, 2008

Filosofia e o Ensino

Vivemos em um mundo marcado pela globalização e pelo progresso tecnológico, na qual é extremamente necessário que seja feito um investimento tanto público como privado na educação e na família, para que possamos construir uma sociedade consciente e cidadã.

Diante dessa necessidade social, a Filosofia é um elemento fundamental no Ensino Médio, pois é nessa fase que o aluno está no período de operações formais ou adolescência, no qual demonstra uma criticidade diante das normas que regem a vida social. Essa é uma etapa na qual o jovem tem os primeiros contatos com o mundo do trabalho e, logo percebe que ele está cada vez mais competitivo devido ao avanço tecnológico e que para manter-se ativo e conquistar seu lugar precisa de qualificação.

Outro fator importante para nossa reflexão neste texto, é que todos nós somos seres sociais, pois de uma forma ou de outra estamos inseridos em uma sociedade em expansão e, para conquistar nosso espaço nela, precisamos ter um referencial a ser seguido, para que possamos acompanhar a evolução tecnológica.

Neste ponto podemos incluir a Filosofia, porque esta surgiu do espanto dos gregos diante da realidade em que viviam, quando insatisfeitos com as explicações que os mitos davam sobre tudo que acontecia buscaram explicações racionais para os fenômenos da natureza e tudo que os circundava. A Filosofia pode ser caracterizada pela busca incessante pelo conhecimento, e o jovem aluno é caracterizado nem tanto pela busca do conhecimento, mas pela busca de um espaço na sociedade, pela insatisfação diante das injustiças sociais e das explicações do senso comum.

O aluno do Ensino Médio é marcado pela transição do senso comum para o senso crítico, da mesma forma que a Filosofia surgiu da transição do mito para a Filosofia. O jovem faz a transmutação do simples para o complexo e a Filosofia faz a passagem da alegoria para a razão.

A Filosofia é um elemento importante nessa etapa da educação, pois através da sua característica de reflexão e investigação dos fatos, que pode ser um ponto de referência para o aluno que está em uma fase de reflexões sobre o sentido da sua própria existência e do seu papel na sociedade.

Os campos de estudo da Filosofia podem ajudar em vários momentos do processo educacional. A Lógica, a ciência do raciocínio correto pode auxiliar o professor no desenvolvimento do raciocínio lógico e de conceitos como os de silogismo, proposições particulares, singulares e universais. A Filosofia Política pode ajudar na orientação sobre os regimes políticos, as formas de governo e as formas como a cidadania foi exercida ao longo dos tempos. A Ética pode ser muito útil para a educação de valores, direitos humanos e, sobretudo, no debate sobre temas transversais enfatizando a importância do respeito mútuo entre as pessoas.

A Metafísica será muito útil para que seja trabalhada a noção de causalidade, que para tudo existe uma causa e que toda causa tem um efeito, possibilitando o desenvolvimento de conteúdos relacionados à História da religiões.

Por último temos a Estética, que pode fazer uma interdisciplinaridade com a disciplina de Artes e trabalhar o conceito de bondade, beleza e, principalmente, a idéia de gosto, mostrando que o que é bom, bonito e gostoso pra um pode ser feio e ruim para outro.

Portanto, pode-se dizer que a Filosofia é muito importante para o Ensino Médio, porque ela possui os elementos que são necessários para auxiliar o jovem adolescente no seu processo de desenvolvimento moral e educacional para que possa conquistar seu espaço na sociedade e no mercado de trabalho. A Filosofia que pode ajudar a aluno a tirar as correntes do senso comum e conhecer o mundo real, ou seja, deixar os preconceitos e as crenças do senso comum e assumir o senso crítico. Aproveitando a idéia de Platão na Alegoria da Caverna, a Filosofia e a educação não consistem em dar olhos à alma visto que esta já o tem, mas consistem em orientar a visão no caminho certo[1]. A tarefa da Filosofia é orientar o pensamento humano no caminho correto, pensando no reflexo que isso terá na sociedade, motivando a conscientização e a cidadania.

Profº Danilo de Oliveira Freire
Licenciado em Filosofia (UniFai)

[1] Na página 229 do Livro A República da coleção Os Pensadores, Platão escreve sobre a tarefa da educação, dizendo que esta esforça-se em orientar a alma na boa direção.