Liberdade

8 Setembro, 2008

A liberdade humana

Muitos são os conceitos aplicados ao termo liberdade, mas, nem sempre, esses nos apontam para o verdadeiro sentido dela, pois algumas definições são equivocadas e outras erradas.

Antes de mais nada, para falarmos em liberdade, precisamos saber que na antiguidade, este termo significava o estado do cidadão livre em relação ao escravo. Por exemplo, o ex-escravo está livre. Defendemos a liberdade em diversos sentidos e situações, como liberdade religiosa, de imprensa, de expressão, etc.

A essência da liberdade reside na liberdade interior, ou seja, é da nossa consciência que provém a vontade de agir exteriormente. Por isso, ato livre é aquele realizado com consciência e por vontade própria, não em estado inconsciente, nem por coação.

O filósofo Aristóteles, em sua obra Ética a Nicômaco, apresenta como livre quem tem em si mesmo o princípio para agir ou não. É o agente que dá os motivos e os fins da sua ação, sem ser forçado por ninguém.

No período patrístico e medieval, a liberdade era vista de uma maneira teocêntrica. Agostinho, em o Livre Arbítrio, declarou que é Deus quem nos revela que o homem tem a livre escolha da vontade. Neste período, o homem passou a ter a noção de Bem e de Mal. Este último não existe para Agostinho. O que existe é uma privação do Bem, para a qual os próprios homens deram o nome de Mal. Para Agostinho, o homem tem a livre escolha para determinar as suas ações.

Já no período moderno, o teocentrismo deu espaço ao antropocentrismo, e o homem passou a ter consciência de sua autonomia. Dessa maneira, a liberdade não estava mais relacionada ao relacionamento com Deus, mas com os outros indivíduos.

Na contemporaneidade, a liberdade passou a ser considerada do ponto de vista social. Hoje, enfrentamos um grande problema sobre a questão da liberdade. Até que ponto somos livres na sociedade atual, em que os sistemas políticos, os meios de comunicação e a tecnologia tornaram-se meios potentes de opressão?

Na sociedade em que vivemos, a liberdade não é comprometida por forças extra-mundanas, mas por forças sociais, criadas pelo próprio homem, e que agora viram-se contra ele. O problema atual é conciliar o progresso, a tecnologia e os meios de comunicação de massa com a liberdade.

Professor Danilo Freire


Violência contra a Mulher! – Isso não

1 Setembro, 2008

Abordar este assunto parece algo muito simples, pois muitas vezes temos uma mente formatada, que pensa que a violência contra a mulher é apenas um estupro ou uma agressão física. Ela vai muito além disso, pois o próprio conceito de violência nos possibilita ter uma visão mais ampla, porque aponta como ação violenta aquela que impede uma pessoa de agir de acordo com a própria vontade ou a priva de um bem.

Neste sentido, o filósofo Aristóteles (384-322 a.C) distinguia o movimento segundo a natureza e o movimento por violência, ou seja, o homem agindo segundo a sua natureza e o homem agindo com violência . É importante lembrar, que para Aristóteles, a ação humana deve visar a felicidade (eudaimonía). Para ele, o único caminho para a felicidade é a virtude (areté). Com base na idéia aristotélica, podemos dizer que a violência é uma ação contrária à natureza humana, que é inclinada para o bem e, quando age violentamente, priva-se do bem para o qual é inclinada.

As definições citadas acima, nos permitem pensar o tema de uma ótica diferente, pois o próprio machismo pode ser caracterizado como violência contra a mulher. A própria historiografia mostra, que na antiguidade, a mulher era submissa ao homem. Na Grécia Antiga, a Filosofia, a política e os outros assuntos relacionados à polis, eram exclusivos dos homens. As mulheres ficavam encarregadas do serviço doméstico e da educação dos filhos. No livro A Antígona de Sófocles, Ismênia fala para Antígona que que as mulheres tinham que obedecer aos homens e que não podiam competir com eles. Aos poucos, essa imagem da submissão feminina foi mudando, pois hoje nós temos mulheres que trabalham fora, que cursam a universidade, mas, mesmo assim, ainda temos o problema do machismo.

No que se refere à violência física contra a mulher, a Revista Veja do dia 27 de abril de 2005, publicou uma matéria na qual abordou o crescimento deste tipo de violência na Suécia, país europeu que é um primor no que diz respeito à igualdade entre homens e mulheres no trabalho e na vida pública. De acordo com a matéria, quatro em cada dez mulheres já foram agredidas por homens em algum momento da vida.

Segundo Margareta winberg, embaixadora da Suécia no Brasil, “os suecos batem nas mulheres para deixar claro que ainda são capazes de subjugá-las , apesar de terem perdido o poder sobre elas fora de casa.”

A diretora do projeto de combate à violência contra a mulher do governo sueco, disse que algumas suportam o tratamento recebido caladas, para preservar a imagem de pessoa forte e independente que foi construída na sociedade.

No Brasil, o problema de agressão física também é muito difícil de ser discutido, pois se prestarmos atenção, os noticiários sobre casos de violência contra a mulher são muito freqüentes.

Diante do assunto que foi abordado no texto, podemos concluir que o pensamento humano evoluiu muito da antiguidade para os dias atuais no que se refere ao papel da mulher na sociedade, mas ainda podemos notar a presença de uma mentalidade um pouco machista por parte de alguns homens, mas não podemos negar que a cada ano, a mulher vem conquistando cada vez mais o seu lugar no mercado de trabalho e, muitas vezes, tendo um desempenho melhor do que o dos homens em determinadas funções.

Questionario acerca de nossa reflexão

Se a situação feminina mudou tanto, por que as suecas continuam sofrendo agressões?

Por que a violência contra a mulher brasileira em seu próprio lar é preocupante?

Por que muitos homens maduros preferem se relacionar com mulheres mais jovens?

Como você pensa a questão da emancipação da mulher na sociedade?

Na sua opinião, o que precisa ser feito para amenizar o problema da violência contra a mulher na sociedade atual?

Você acredita que se houvesse uma igualdade entre homens e mulheres no trabalho e na política aqui no Brasil, o problema da violência contra a mulher seria menor?

Escrito por Danilo Freire
Licenciado em Filosofia pela Unifai


ÉTICA À NICÔMACO

15 Agosto, 2008

O Livro de Aristóteles. Ética à Nicômaco
Pelo Professor Danilo Freire.

Dedicando-se à ética, Aristóteles escreveu uma obra fantástica intitulada Ética à Nicômaco, já que foi dedicada a seu filho Nicômaco. A obra é composta de dez livros, nos quais Aristóteles assume um papel pedagógico de um pai preocupado com a educação de seu filho e, acima de tudo, com a sua felicidade. O tema central da filosofia ética de Aristóteles é a felicidade, pois para ele, a finalidade última do ser humano é a felicidade, ou seja, todos nós queremos ser felizes.

Ao longo dos dez livros, Aristóteles escreve sobre conceitos que estão relacionados com a felicidade, tais como amizade, amor, liberdade, justiça, bondade, entre outros, valorizando muito a amizade, pois todos nós precisamos de amigos, porque são eles que verdadeiramente estão do nosso lado nos momentos fáceis e difíceis da vida. Para ele, a amizade é um caminho para a felicidade e precisa de reciprocidade, ou seja, o sentimento deve existir das duas partes e, além disso, não é uma coisa que acontece da noite para o dia, mas é fruto de uma vida inteira. Por isso, da mesma forma que não se constrói uma amizade de ontem para hoje a felicidade é a mesma coisa, ou seja, ambas são obras de uma vida inteira.

Muitas pessoas se perguntam o que é a felicidade? É possível ser feliz? Aristóteles responde as duas perguntas, pois diz que a felicidade existe e que é possível sermos pessoas felizes, mas para isso é necessário praticar a virtude, que é aquilo que nos inclina para a prática do bem e a busca da felicidade. Virtude é a capacidade humana de aplicar a racionalidade e fazer dela uma coisa prática, colocando a razão sempre acima das paixões. Aristóteles aponta que a virtude é o justo meio, uma medida de equilíbrio entre as coisas.

O filósofo apresenta a idéia de que o homem é um ser racional e que por isso, como foi mencionado no parágrafo anterior, a razão deve dominar as paixões, para que possamos ser pessoas virtuosas e alcançarmos a felicidade. Ainda no que se refere à prática da virtude, enfatiza que é o resultado das nossas ações que pode nos classificar como justos ou injustos, certos ou errados, ou seja, se as minhas ações forem justas, logo eu serei um homem justo, se as minhas ações forem injustas, logo eu serei um homem injusto e o que vai determinar as minhas atitudes como justas ou injustas, é a lei que rege a vida social.

Enfim, o objetivo principal do livro é não somente educar o filho Nicômaco no caminho da felicidade, mas também fazer com que as pessoas reflitam sobre as suas ações e coloquem a razão acima das paixões, buscando a felicidade individual e coletiva, pois o ser humano é um ser social e suas práticas devem visar o bem comum.

Após a leitura do texto, convido você caro leitor, a ler as questões apresentadas abaixo, e refletir um pouco sobre a obra de Aristóteles comentada, e ver como ela pode nos ajudar muito em nossa vida cotidiana. Se você quiser, pode anotá-las e respondê-las em seu pensamento ou em uma folha de papel, guardando-as consigo, para usá-las sempre que achar necessário. O leitor poderá também responde-las por e-mail junto com seus comentários e duvidas que estaremos retornando no menor espaço de tempo.

Questões para o leitor.

1) Na sua opinião o que é felicidade? Será que ela realmente existe?

2) Aristóteles disse que a amizade é necessária para a felicidade. Você concorda com essa idéia? Por quê?

3) Por que é tão difícil ter amigos?

4) Aristóteles escreveu o livro Ética à Nicômaco para seu filho. Caro leitor, se você fosse ele, sobre quais temas escreveria para seus filhos e qual seria o título do livro?

5) Você se considera uma pessoa feliz ? Por quê ?

E-mails para respostas: erisvaldo.correia@hotmail.com ou danilosan2007@ig.com.br

Professor Danilo Freire
Licenciado em Filosofia pela UniFai