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Hobbes e o medo no Leviatã

Hobbes é defensor da ideia do Contrato Social. No pensamento Hobbeseano o medo é o motor chave para necessidade desse contrato. Ao viverem em Estado de Natureza, os homens estão propensos a sua imaginação, donde pela honra, eles ficam fadados a imaginar que a guerra entre eles não tem fim. Assim é o ideal do Homem, lobo do homem. Assim, Hobbes propõe que “sem a espada que lhes imponha o respeito, os acordos não servem para atingir os objetivos a que lhe propõe” (HOBBES, 1988). Com esse pensamento, o filósofo inglês justifica o porque do Contrato Social. É necessário um soberano onde o mesmo, ali estando por comunhão do contrato assinado entre os homens sirva como a espada, que mostre o respeito base donde se justifica manter o acordo proposto. 

Leviatã e Hobbes

O Leviatã é sem duvida alguma a Obra chave no pensamento do filósofo Thomas Hobbes. O pensador inglês foi um dos sustentadores da ideia do Contrato Social, no qual os homens se reuniam não mais em um estado de natureza, mas por meio de um pacto, um contrato que mantivesse a paz entre os mesmos. Hobbes vê que a legitimação desse Estado Social é necessária por causa do “medo” presente no homem. Segundo Hobbes “os homens estão em continua competição pela honra e pela dignidade (HOBBES apud NICOLA, 2005)”.

No pensamento Hobbeseano, prevalece no estado de natureza o “Homo homini lupus[1] onde prevalece na grande maioria das vezes a “guerra de todos contra todos”. Esse estado de natureza é o desorganizado, onde o homem não age de acordo com a honestidade, mas prevalece o isolamento e a violência. O estado de natureza segundo Hobbes então é o estado de igualdade no medo. Medo que muitas vezes é alimentado principalmente no estado imaginário, ou seja, um medo psicológico. O mais fraco teme por sua vida e seus bens. Ele crê na perda devido a seus status de armamento ou condição física. Ao mesmo tempo, o mais forte preconiza o mesmo medo, imaginando ser atacado no momento em que não puder mais manter o estado de vigília.

Nesse problema da questão do “medo”, podemos observar que nessa sociedade, o homem vive por seus medos. A honra é sua ganancia. Ele pode perder tudo, mas lutaria por sua honra acima de qualquer coisa. Assim, o mais forte para manter a honra lutaria contra o fraco em busca de mais domínios. O fraco, para recuperar sua dignidade, lutaria contra o forte. Uma guerra continua que era mantida pelo “medo”.

Assim sendo, no estado social de Hobbes, os homens deveriam abrir mão de suas vontades, passando a se submeter em favor da vontade de um soberano. No ato de concordarem com essa submissão, os mesmos declaravam que a legitimidade do soberano só seria garantida se o mesmo cumprisse com suas obrigações que eram garantir a paz e a vida social regular do estado.

Podemos perceber, que o individuo humano se aproximaria das responsabilidades éticas dentro do chamado estado social. A questão do Contrato não foi abordada unicamente por Hobbes. Em Rousseau, o homem vive separado pela natureza, em um estilo de vida simples e sociável até o momento em que alguém decide cercar o que ele determina ser seu e diz: “isso é meu”.

Dentro desses limites do “meu” e “seu”, o estado de natureza Hobbeseano tem inicio, levando o homem aos limites de seus medos, muitas vezes alimentados por sua imaginação. Mas construir um Estado forte não é fácil. Da mesma forma que os homens possuem suas divergências sociais no estado livre da natureza, os mesmos não conseguem tão facilmente definir as regras e leis que possam permear o Estado Social justo e necessário. Tudo isso podemos agregar também na questão do medo. Medo de o Contrato não ser seguido, medo de o soberano não ser suficiente ou medo dos demais homens da sociedade se voltarem contra o Contrato. Esses medos permearão por todo o pensamento de Hobbes na questão do Contrato Social.

Bibliografia

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 6ª edição. – São Paulo : Editora Ática. 1997.

GHIRALDELLI Jr, Paulo. História Essencial da Filosofia (Volume III). – São Paulo : Editora Universo dos Livros. 2010.

NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada da Filosofia: das origens à idade moderna. – São Paulo : Editora Globo. 2005.

__________
Texto: Erisvaldo Correia
(Licenciando em Filosofia)
 CEUCLAR-SP

Notas:


[1] O Homem é o lobo do Homem (Tradução do Latim).

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