Blaise Pascal é um filósofo que acredita que o coração é uma fonte de verdade, de certa forma distinta da racionalidade provinda do espírito geométrico. Ele defende também que não se pode criticar a religião cristã sem antes conhecer seus fundamentos. E na obra Pensamentos apresenta que nada é tão sublime como o fato do ser humano pensar.
Ele constata que a dimensão racional do ser humano é muito limitada para constatar a existência ou não de um ser divino e termina por concluir que a através da razão não poderíamos encontrar com as verdades mais profundas sobre a existência. Quanto as provas metafísicas sobre a existência divina, segundo ele, nada provam e nadam aumentam no nosso relacionamento com Deus, devemos provar Deus pela fé e não pela razão.
Então ele defende o argumento da aposta da existência de Deus. É mais razoável escolher apostar que Deus exista, pois se Deus não existir nada estará perdido, se ele existir e tivermos apostado que Ele não exista estaremos realmente perdidos. Como não podemos deixar de apostar parece razoável apostar na existência e temos tudo a ganhar. E se no final das contas Deus não existir não teremos perdido nada.
E Pascal acrescenta que se Deus não existir, ao menos, teremos vivido uma vida honesta e ética, tendo assim somente a ganhar. Portanto, acreditar na imortalidade da alma no entendimento dele leva a uma determinada postura ética que se afirma e deve ser coerente com nossa aposta na existência ou não existência de um ser transcendente.
Vários filósofos com argumentos muito plausíveis apresentaram argumentação contra a existência de Deus, todavia afirma Pascal que a existência do transcendente e do sobrenatural foge da nossa capacidade humana restando apenas crer.
Pascal afirma que a religião cristã seria a única capaz de fazer o ser humano encontrar-se consigo mesmo e encontrar-se com sua realidade paradoxal: ao mesmo tempo miserável e também cheio de possibilidades. O verdadeiro Deus seria conhecido pelo coração e não apenas pela razão. Ele, sem dúvida, jamais desejava negar a importância da racionalidade, mas afirmava que dois excessos devem ser evitados, um é negar a razão e outro é apenas acreditar nela como uma única fonte, excluindo qualquer outra fonte de conhecimento.
23 Janeiro, 2009 às 9:38 am |
Muito interessante pois ele se consagra, de forma diferenciada, como mais um que vai contra a razão para explicar a consição humana, e de certa maneira contra toda a expressão maior da história da filosofia.
11 Junho, 2009 às 12:03 pm |
Amplamente utilizada pela apologia cristã, é apresentada no livro Penseés, formulada por Blaise Pascal (1623-1662) filósofo, físico e matemático francês. Não é um argumento para provar a existência de Deus, mas um argumento a favor de um comportamento humano de acordo com os princípios bíblicos. Seu conteúdo resumido é o que segue:
- Se a pessoa ACREDITAR em Deus e ele NÃO existir = Sem prejuízo (Teve uma vida satisfatória).
- Se ACREDITAR em Deus e ele EXISTIR = Lucro (Salvação)
- Se NÃO acreditar em Deus e ele NÃO existir = Sem prejuízo (Não vai ser condenado).
- Se NÃO acreditar em Deus e ele EXISTIR = Prejuízo (Condenação).
Desta forma julgamos que a aposta de Pascal é vantajosa para o crente, pois nunca haverá possibilidade dele ter prejuízo e 50% de chance de obter lucro. Já o descrente está numa situação difícil, não tem chance alguma de lucro e ainda tem 50% de chance de se dar mal. Vejamos a distribuição em porcentagem das probabilidades de lucro, prejuízo e sem prejuízo:
Crente
- Se Deus não existir: Sem prejuízo (50%).
- Se Deus existir: Lucro (50%).
Descrente
- Se Deus não existir: Sem prejuízo (50%).
- Se Deus existir: Prejuízo (50%).
Obs.: Para não ferir o brio de crentes e ateus, definimos a possibilidade da existência ou não de Deus em 50%.
Infelizmente Pascal não considerou que um cristão sincero e honesto ficaria decepcionado ao saber que dedicou a vida a uma mentira. O cristianismo demanda tempo, energia e dinheiro, o que seria prejuízo com a inexistência de Deus. Pascal considerou que a vida ao estilo cristão vale a pena mesmo que não haja salvação no final, não é o que a própria Bíblia demonstra quando prevê tribulação, angústia, tristeza e até a morte por causa da fé, uma vida que ninguém escolheria se soubesse que Deus não existe. Outro fator ignorado por Pascal é que a cultura humana admite vários deuses, portanto, se o deus cristão não for o certo, o crente ficará em situação difícil ao se deparar no fim de sua jornada com um deus tão intolerante e cruel quanto Jeová como, por exemplo, Alá.
Se, para efeito de cálculo, levássemos em consideração que a humanidade acredita em apenas 20 deuses (sabemos que é bem mais), a probabilidade do cristão de ter-se dedicado ao deus verdadeiro é de 1 em 20, ou seja, possibilidade de 5% de obter lucro. Consideremos agora que a média dos deuses seja intolerante, então a possibilidade do crente ter prejuízo é de 22,5% mais 50% se não existir deus algum, possibilidade total de prejuízo de 72,5%. Devido aos deuses tolerantes a possibilidade de não ter nenhum prejuízo do crente é 22,5%. Já o descrente com nenhuma chance de lucro na visão de Pascal, em uma condição mais próxima da realidade tem possibilidade de ocorrência de lucro de 50% porque viveu com base na realidade, e a possibilidade de prejuízo baixou de 50 para 22,5%, ou seja, menos de 1/3 de possibilidade de prejuízo que o crente deve esperar.
Levando em consideração o que Pascal ignorou, vejamos como fica o quadro:
Crente
- Se Deus não existir: Prejuízo (50%).
- Se Deus existir e for o deus cristão: Lucro (5%).
- Se Deus existir, não for o deus cristão e for intolerante: Prejuízo (22,5%).
- Se Deus existir, não for o deus cristão e for tolerante: Sem prejuízo (22,5%).
Descrente
- Se Deus não existir: Lucro (50%).
- Se Deus existir e for o deus cristão: Prejuízo (5%).
- Se Deus existir, não for o deus cristão e for intolerante: Prejuízo (22,5%).
- Se Deus existir, não for o deus cristão e for tolerante: Sem prejuízo (22,5%).
A soma total das probabilidades de prejuízos, lucros e sem prejuízos fica da seguinte forma:
Crente
Lucro: 5%
Prejuízo: 72,5%
Sem prejuízo: 22,5%
Descrente
Lucro: 50%
Prejuízo: 27,5%
Sem prejuízo: 22,5%
Partindo de uma visão mais detalhada e realista concluímos que a Aposta de Pascal é mais arriscada do que se pensava e que, numa aposta, a melhor opção é a descrença.
-por Jonas A.C.S.