O Mito do enriquecimento econômico

A mídia constitui para a grande maioria a formadora de consciência e opinião da grande massa. A massificação do pensamento constitui, sem dúvida, uma das maneiras de alienação presentes na sociedade atual. “O aumento da produtividade econômica, que por um lado produz as condições mais justas para um mundo mais justo, confere por outro lado ao aparelho técnico e aos grupos sociais que controlam uma superioridade imensa sobre o resto da população. O indivíduo se vê completamente anulado em face dos poderes econômicos (…) Desaparecendo diante do aparelho a que serve, o indivíduo se vê, ao mesmo tempo, melhor do que nunca promovido por ele. Numa situação injusta,a impotência e a dirigibilidade da massa aumentam com a quantidade de bens a ela destinados” (ADORNO, Theodor W. HORKMEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997, p.14).

Em outras palavras, o enriquecimento econômico é um mito terrrível da atualidade; a sociedade realmente produz mais, mas isso não representa um grau de maior justiça e melhores condições de vida; pelo contrário, aumenta-se a pobreza. Na atual conjuntura os governos privatizam os serviços todavia não diminuem impostos que seriam em tese pagamento por um serviço prestado pelo Estado que passa a ser prestado pela iniciativa privada que por vezes fixam valores arbitrariamente.

Particularmente em relação a certas campanhas ambientais embora legítimas e meritórias considero por vezes ingênuas pois jamais destruíremos a natureza! Esse cosmos vai se adaptar apenas a uma nova situação, quem irá desaparecer somos nós, seres humanos!

O mito do crescimento econômico é terrível, nos tornamos alienados. Infelizmente, muitas instituições religiosas tornaram-se empresas que se não vendem um pedaço do céu, vende um verniz religioso em que se manipulam mentes para arrecadações milionárias. Mesmo canais de TV religiosos muitas vezes não conseguem ficar mais de 30 minutos sem uma apelação para uma colaboração condicionada a muitas bençãos religiosas ou maldição caso se negue a fazê-la o telespectador. Vende-se uma religião e um deus capitalissta onde quando eu me converto minha conta bancária aumenta; um deus que apóia nossa omissão social.

Criamos as metas, as mais diversas! Quando cumprimos uma, já colocamos outra superior. Funcionários sempre trabalhando sobre pressão! O ser humano insatisfeito, consumista! E nos esquecemos que o ser humano é um ser para a morte! Surge uma literatura de auto-ajuda para motivar as pessoas a não desistir de suas metas.

Alienação para Marx designa o estado de quem se encontra diante dos produtos de sua atividade como diante de um poder estranho que o domina; assim, ele torna-se escravo de suas produções, bens, mercadoria, capital e dinheiro. Nunca nos comunicamos com tanta facilidade on line, e nos tornamos incapazes de dialogar presencialmente, não temos tempo!

“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, nos extraviamos. A cobiça envenou a alma dos homens… levantou no mundo as murralhas do ódio.. Pensamos em demasia e sentimos pouco. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos. Mais do que máquinas precisamos de humanidade; mais do que inteligência, precisamos de afeição, doçura. Sem estas virtudes, a vida será de violência, tudo estará perdido” Charles Chaplin

Portanto, urge a formação de uma nova maneira de pensar superando uma ideologia selvagem capitalista onde as pessoas são tratadas como objeto para lucros apenas e depois não se sabe o porquê de tantos depressivos. Devemos amar as pessoas e gostar das coisas, e não o contrário. A pessoa humana precisa ganhar centralidade. Do contrário, estamos exterminando o sentido da própria existência humana. As religiões precisam se unir, superar suas divergências como dizia Papa João XXIII: “devemos ver o que nos une e não o que nos separa” e certamente o que nos une é a prática do amor. Hans Kung fala com muita categoria: “Não haverá paz no mundo quando não houver paz entre as religiões”. Hannah Arendt nos ensina: “O amor é um acontecimento a partir pode advir um acontecimento ou um destino”. A humanidade hoje mais do que nunca não precisa tanto de dinheiro, mas sim nas palavras de Madre Teresa de Calcutá “o mundo não tem fome apenas de pão, mas de amar e ser amado”. Que avanço tecnológico é esse que ainda o mundo inteiro quando poderia saciar a fome de tantos continua gastando em armamentos de guerra! E se há armamentos mais cedo ou mais vai se ter que gastar estes armamentos, é como quem anda com uma arma sem motivo, certamente na primeira situação de conflito provavelmente irá usá-la.

O Mito do crescimento econômico é um desafio em todos os sentidos… Até para termos um pouco de tempo para aquilo que é mais importante do que apenas ganhar dinheiro… Afinal passamos muito breve por esta existência e precisamos dar um sentido existencial para ela.

Escrito por Fabio Gabriel

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